2º encontro "Diferentes não (In)diferentes"

Em 5 de Fevereiro de 2011 realizou-se nas instalações da Cercipóvoa o segundo encontro “Diferentes não (In)diferentes”, destinado aos pais de crianças com necessidades educativas especiais (NEE) do Agrupamento.

7 pessoas responderam ao convite:

  • Dinamizadores: Adília Paz e Aline Lopes.
  • Participantes: Edite M., Joaquim B., Fernanda C., Carla G., Sandra S., mais três jovens e crianças.

Resumo do Encontro

Neste encontro abordou-se o tema: ter um filho com mobilidade reduzida.

Carla G. expôs a experiência com o seu filho, que tem severas limitações de mobilidade, desde o diagnóstico, evolução da doença e percurso escolar.

  • A professora do 1º ciclo foi fabulosa, mobilizando a própria família para ajudar.
  • Disponibilidade dada aos pais para acompanharem o filho em visitas de estudo.
  • Dificuldades na acessibilidade do espaço escolar (biblioteca, sala de audio-visuais, etc).
  • Recurso para DGS para reavaliar grau de incapacidade, permitindo a aquisição de um carro adaptado.
  • Se não havia espaço para estacionar, “parava onde era preciso”. Pinos à entrada da escola dificultam a paragem para entrar e sair da escola.
  • Implicações financeiras: acesso a carro adaptado requer grau de incapacidade superior a 90%, mas a escala de avaliação de incapacidade foi elaborada para adultos e não é adequada.
  • Câmara Municipal de Vila Franca de Xira não investe nem apoia estas pessoas, ao contrário de outras câmaras.

Estratégias:

  • Importância da postura de nós próprios como facilitadores para que os outros nos ajudem.
  • Importância de sermos pedagógicos para com os outros.
  • Recado no pára-brisas do carro quando impedem passagem.
  • Mobilização da família no apoio directo ao deficiente, inclusivamente financeiro.
  • Importância de lutarmos para nos libertarmos e os libertarmos, evitando super-protecção — deixá-los viver o mais possível. Senão, há o risco de os culpar pelas nossas próprias privações.
  • Importância de termos o nosso espaço, garantindo que, se necessário, ficará rapidamente disponível.
  • Não pensar só em fatalidades — aprender com exemplos de pessoas de sucesso com problemas semelhantes.

Frases

“Não somos heróis nem especiais.” — Carla G.

“Após o diagnóstico, os médicos e técnicos abandonam os pais. Temos que ser nós a procurar ajuda.” — Carla G.

“Se ficarmos demasiado agarrados, não é bom para nós nem para eles. E depois começamos a recriminá-los.” — Carla G.

“Se não tirarmos um bocadinho para nós ficamos tolas.” — Sandra S.

“Deus tira umas coisas, tem que dar outras.” — Sandra S.

“Enquanto não deixarmos de ter pena de nós próprios, não fazemos nada.” — Aline L.

“Não tenho que lhe incutir o medo que ele não tem.” — Carla G.

“Felizmente agora pode-se falar de tudo com as mães. A minha mãe é do tempo da pedra.” — Sandra S.

— Adília Paz e Joaquim Baptista

Série

Este artigo é a parte 3 de uma série:

  1. História do projecto Diferentes não (In)diferentes
  2. 1º encontro "Diferentes não (In)diferentes"
  3. 2º encontro "Diferentes não (In)diferentes"
  4. 3º encontro "Diferentes não (In)diferentes"
  5. 4º encontro "Diferentes não (In)diferentes"
  6. Convite 2011/2012 "Diferentes não (In)diferentes"
  7. Encontro regular "Diferentes não (In)diferentes"
  8. A Sexualidade e os Afectos na Deficiência

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