Como será o primeiro ano?

Onze adultos e duas crianças juntaram-se durante duas horas e conversaram sobre seis temas num espaço acolhedor. Os participantes conheceram-se, ganharam alguma confiança mútua, exploraram temas de comum interesse.

Convite

Convite Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio Bartolomeu Dias

Fórum Aberto
1 de Junho de 2012
18h–20h, Refeitório

No ano em que o Colégio comemora 50 anos, precisamos de ideias, propostas e projetos para realizar no próximo ano letivo. Contribua para um projeto de que todos nos possamos orgulhar.

Precisamos também de pessoas com dinamismo e com vontade de contribuir para uma maior aproximação entre Pai — Filho — Professor — Colégio.

Comissão Instaladora

Os estatutos da APEECBD foram publicados no Portal da Justiça a 13 de Maio de 2013, tendo sido atribuído à Associação o número de pessoa colectiva 510 241 387.

Tendo assistido à génese de duas Associações de Pais, tenho que agradecer a esta Comissão Instaladora a celeridade com que tratou de toda a burocracia, tendo conseguido concluir o processo burocrático em tempo recorde!

  • João Faneca, coordenador
  • Vanessa Costa
  • Alberto Martins
  • João Grave
  • Rui Abranches
  • David Carvalho

A oportunidade

A metodologia de “espaço aberto”, inventada por Harrison Owen em 1984, fomenta conversas entusiasmadas entre pessoas que partilham a mesma preocupação, especialmente perante um problema com múltiplos pontos de vista.

Um encontro completo dura vários dias (entre 1,5 e 2,5 dias), durante os quais os participantes se vão conhecendo cada vez melhor:

  • Numa primeira fase divergente exploram-se temas,
  • Numa segunda fase convergente exploram-se acções necessárias e,
  • Finalmente, emergem lideres com vontade e apoio para as pôr em prática.

Participei num fórum aberto em 2008 e, depois, apliquei o método cinco vezes, a maioria delas no âmbito da APDM (Associação de Pais e Encarregados de Educação do Agrupamento de Escolas Dom Martinho), normalmente em encontros de quatro horas.

No Colégio, só havia oportunidade para uma curta reunião de duas horas. A minha expectativa era iniciar a fase divergente, conseguindo um melhor conhecimento entre os pais e, também, uma exploração inicial dos temas que a APEECBD poderia prosseguir.

A caixa de Pandora

Dois dias antes do fórum (30 de Maio) o jornal “Correio da Manhã” surpreende todos ao noticiar:

Uma professora do Colégio Bartolomeu Dias, em Santa Iria de Azóia (Loures), terá transmitido aos alunos as respostas correctas a algumas questões, durante as provas de aferição do 4o ano de Língua Portuguesa e Matemática, realizadas a 9 e 11 de Maio. A docente terá fornecido as respostas aos alunos porque estes não tinham dado a matéria em causa.

Foi pedido às crianças para não contarem nada aos pais, mas um encarregado de educação acabou por tomar conhecimento. Indignado com o mau exemplo dado às crianças pela professora, apresentou queixa na Inspecção-Geral da Educação e Ciência.

O colégio também está a averiguar o caso, confirmou ao CM o director pedagógico, Pedro Gomes Freire. "Foi aberto um processo de averiguações interno para tentar saber se houve esclarecimentos prestados aos alunos. Se houve incumprimento, quem incumpriu será chamado à responsabilidade", disse.

O director sublinhou que "as regras são para cumprir". "Caso se confirme, a professora em causa será exemplarmente punida", garantiu.

Pedro Gomes Freire não esclareceu se as suspeitas de transmitir informação aos alunos recaem sobre a própria professora da turma do 4º ano ou sobre a docente que fazia vigilância na sala.

As regras, definidas pelo Júri Nacional de Exames, impedem a presença do professor da turma dentro da sala durante a realização das provas de aferição.

O caso, sabe o CM, está a gerar no colégio uma onda de solidariedade para com a professora em causa.

O CM questionou o Ministério da Educação e Ciência, que remeteu esclarecimentos para mais tarde.

(Bernardo Esteves, CM)

A generalidade dos pais associa a notícia à APEECBD, questionando os motivos quer da associação quer dos membros da comissão. Preferiam evitar qualquer referência à notícia. “Agora que temos associação é que ganhamos esta má fama?”

Dois dias depois, a notícia já tinha 12 mil leitores, duas centenas de partilhas no Facebook e 48 comentários variados. Os comentários exibem todo o tipo de ideologias e pontos de vista, incluindo críticas ao denunciante, ao colégio, ao ensino privado e ao ensino em geral, mas também manifestações de apoio ao colégio.

Espera A notícia afecta em particular a turma do 4º ano que originou a Comissão Instaladora da APEECBD, provocando uma profunda divisão entre os membros.

Constituída há pouco mais de dois meses, a comissão apenas tinha elaborado os estatutos, convocado duas assembleias gerais e tratado da burocracia inerente à criação de uma associação de pais, tendo como único projecto realizar as primeiras eleições.

Apanhada num torvelinho que preferia que não existisse, a comissão hesita em manter o apoio ao fórum aberto. Alguns membros põem mesmo em causa a sua ligação à futura associação.

Enquanto se esperam os resultados dos dois inquéritos (do Ministério e do Colégio), decidimos não cancelar o fórum anunciado aos pais de 700 crianças.

No contexto desta autêntica Caixa de Pandora, a conversa e o bom senso são tão necessários como sempre: a futura associação precisa de pessoas e de ideias.

Mercado

O fórum aberto

Pouco depois das 18 horas, estavam reunidos 11 adultos, uma jovem (10º ano) e uma criança (3º ano). Outros alunos mostraram interesse no arranjo da sala mas preferiram brincar no exterior. Uma mãe compareceu precisamente para esclarecer a posição da associação de pais, mas outro casal desconhecia por completo a notícia.

Mas os 13 participantes eram as pessoas certas, pois a abertura do espaço decorreu da forma esperada: após a apresentação das regras do encontro, os participantes propuseram 7 temas, que depois votaram de acordo com a tabela seguinte.

Mesa Tema Votos Relatório?
B Futuro dos nossos filhos: Educação (casa, escola) 4
C Preçário das refeições 4 Relatório
D Educação para o desenvolvimento sustentável 7 Relatório
E Associação de pais: modos de intervenção 5 Relatório
F Esforço para a criação de lista para a APEECBD 6 Relatório
G Biblioteca e locais de convívio 8 Relatório
H Ideais ou falta deles!?... 5
Sala dos casacos para 1º ciclo Relatório

Os participantes acabaram sentados em mesas contíguas, organizados em três grupos. Muitos participantes mudaram de lugar ou de grupo, participando em várias conversas.

Grupo Os temas E, F e G acabaram por ser conversados em conjunto. A conversa do tema G divergiu a certa altura, de forma que os participantes começaram outro tema, com direito a notas separadas.

Foi também discutido um assunto levantado dias antes pelo sempre amável Sr. Teixeira, segurança do Colégio, numa conversa de preparação do encontro.

Os relatórios entregues confirmam os resultados esperados ao fim de hora e meia de conversa: os participantes conheceram-se, ganharam alguma confiança mútua, exploraram temas de comum interesse.

Duas participantes manifestaram interesse em juntar-se à associação, incluindo a mãe que tinha vindo pedir explicações sobre o comportamento da associação e acabou por descobrir que ainda não existia associação, mas apenas uma comissão instaladora limitada.

Mas a aluna do 10º ano que propôs o tema da biblioteca recebeu um forte apoio, de tal forma que após o fórum aproveitou a disponibilidade do Administrador do Colégio para encetar imediatamente uma conversa concreta.

Como será o primeiro ano?

A elaboração e divulgação deste relatório conclui a minha relação de “consultoria de fórum aberto” com a Comissão Instaladora da APEECBD.

No contexto inicialmente esperado, a comissão teria sido enriquecida quer com potenciais pessoas interessadas quer com áreas potenciais de actuação e, com sorte, alguns projectos concretos. As conversas iniciadas abertamente no fórum continuariam por outros meios, levando naturalmente à constituição de uma lista mais forte e variada, com propostas concretas de projectos a realizar no próximo ano lectivo.

A abertura da caixa de Pandora, contudo, veio dividir membros da comissão, pais do Colégio e público em geral. Quando os resultados dos dois inquéritos forem divulgados, sejam eles quais forem, uma ou outra facção terá provavelmente motivos para lamentar os excessos, especialmente as críticas pessoais que se venham a revelar infundadas.

O melhor exemplo de atitude para o próximo ano veio da mãe Cláudia Correia: chegou ao refeitório, viu o chão por varrer, pegou numa vassoura e varreu-o. Agradeço-lhe quer a ajuda quer a inspiração. Não há tarefas demasiado pequenas.

É altura de os pais darem o exemplo, mostrando aos filhos como se lida com a adversidade, e também o potencial do trabalho em equipa.

— Joaquim Baptista, facilitador acidental de fóruns abertos

Anexos

Relatório do encontro "Como será o primeiro ano?"
Onze adultos e duas crianças juntaram-se durante duas horas e conversaram sobre seis temas num espaço acolhedor. Os participantes conheceram-se, ganharam alguma confiança mútua, exploraram temas de comum interesse. 15 páginas.
Convite do encontro "Como será o primeiro ano?"
Precisamos também de pessoas com dinamismo e com vontade de contribuir para uma maior aproximação entre Pai — Filho — Professor — Colégio. 1 página.
Estatutos
Estatutos da Associação de Pais e Encarregados de Educação do Colégio Bartolomeu Dias, constituída a 13 de Maio de 2013, com o número de pessoa colectiva 510 241 387. 7 páginas.

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