Circo Royal na Póvoa de Santa Iria

O "Fantástico Royal Circus" pareceu maior que os circos que costumam actuar na Póvoa de Santa Iria, com mais material e uma tenda maior. Em compensação, com alguns mas poucos animais.

Absolutamente notáveis, contudo, são as pinturas de palhaços nos camiões, pintadas em 2007 por Jlamar (telef. 961 645 154). Não consigo imaginar melhor maneira de apresentar um circo!

Durante o espectáculo, a primeira surpresa é a participação dos filhos dos artistas. Eles ocupam os pequenos interlúdios do espectáculo, por exemplo atirando bolas ao público ou cumprimentando os espectadores um a um com um aperto de mão. Mas também servem como "partenaires" no número de ilusionismo e fazem uma rábula aos "frangos" do Sporting Club de Portugal. E duas princesas (hoje em dia todas as meninas com menos de 12 anos são princesas) apresentam um número de pombinhas.

Outra surpresa, especialmente após o Circo Nómada ou os Circos de Natal, é a relativa tranquilidade da iluminação. A luz mantêm-se largamente constante durante a maioria dos números, dando ao fotógrafo melhores oportunidades de obter boas imagens: consegui usar várias vezes a minha objectiva f/4, à custa de perder algumas boas fotos enquanto trocava de objectiva. O efeito é um espectáculo menos frenético, menos televisão, mais autêntico, mais humano.

É espantosa a alegria do equilibrista argentino, a fazer suspeitar que o circo na Argentina não é o espectáculo "velho e cansado" do Portugal actual, mas antes a novidade do nunca visto na aldeia remota (e no Portugal de algumas décadas atrás).

Os números de leões e cavalos são uma desilusão relativa. As duas leoas fazem o óbvio, mas cumprem o seu papel. Afinal, os leões são um número incontornável num circo "a sério", logo a seguir aos palhaços. Os cavalos (ou melhor, cavalo e pónei) estão ainda pouco treinados. Só me veio à cabeça a frase do "one trick pony" com o pormenor de só existir um pónei, que repete com dificuldade o seu único truque.

Mas os problemas dos leões e dos cavalos são completamente apagados pela grande surpresa deste circo: cobras e répteis. O número é espantosamente simples: tiram-se os animais das caixas, colocam-se na pista, onde evoluem um pouco em conjunto, e voltam-se a pôr na caixa. Mas estamos a falar de cobras de 4 metros, um "pequeno" dragão de Komodo com 2 metros e um “pequeno” crocodilo com 2 metros, evoluindo a poucos metros do público...

Há um número envolvendo espectadores, que vi pela primeira vez em 2007 em Tavira, pelas mãos do Pedro Tochas. E há um único número de palhaços no fim do espectáculo, competente mas pouco convincente. Talvez não fosse uma tarde inspirada, especialmente com uma tenda longe de estar cheia (mas que seria uma boa casa para o Circo Nómada)?

No início, um palhaço veste-se e maquilha-se. No fim, despe-se e desmaquilha-se, num ritual que me parece subtilmente errado... eu, adulto, sei que os palhaços são também pessoas como as outras. Mas estou a pagar o bilhete para ver a parte "profissional", e não a pessoa comum. Para as crianças pequenas, o exercício parece ainda mais incompreensível. Os bonecos da televisão não se despem depois de cada série. Mas lembro-me da forma como os artistas do "Circ Panic" conviveram com o público depois do espectáculo em Tavira, da excitação e de como alguns espectadores insistiram em tirar fotografias com os artistas. Porque é que os artistas não vão tomar café ao átrio do centro comercial em frente (completamente vestidos e maquilhados), capturando a atenção geral e mostrando, simultaneamente, a sua condição de pessoa e de artista?

No geral foi um bom espectáculo, sem pontos demasiado fracos e com algumas boas surpresas.

Actualização

Em 29 de Maio, os trapezistas Paulo Costa e Carlos Careca sofreram uma queda em Almeirim tendo ficado gravemente feridos. Resta-me desejar o melhor.

Paulo Costa e Carlos Careca

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