Kayene Show em Pousadas

Tinham-me avisado para não entrar com o carro para dentro da aldeia, pois a festa impediria a passagem. Mesmo assim, não estava preparado para ver um enorme camião atravessado a meio do largo de Pousadas, numa manobra aparentemente impossível. Quando mais tarde perguntei ao grupo como é que tinham entrado com o camião no largo, limitaram-se a dizer “é a prática, já actuámos em sítios mais difíceis”.

Às 20:30, a Tuna Realense tocava no cimo do coreto inacabado, perante uma fila de pessoas sentadas à volta do largo. Limitei-me a ouvir a música e a tirar algumas fotos gerais.

Só voltei às 23:30, já estava o baile em curso. O largo está cheio de pessoas a dançar, mas cinco crianças jogam futebol atrás do palco.

Subi ao coreto para melhor observar o trabalho do Kayene Show. Em palco estão três músicos e duas dançarinas. Um único técnico trata quer do som quer da luz.

Perto da meia-noite, a popular canção “O Pai da Criança” levou ao aparecimento de mais elementos em palco.

  • Primeiro, uma das dançarinas pegou num macaco de pelúcia, que fez interagir com os músicos, com brincadeiras e tropelias.
  • Depois, um dos músicos convidou uma jovem do público a dançar no palco. Minutos depois, há três crianças a dançar com a jovem no palco. Dançarão até ao fim da festa.

Entretanto, o ímpeto dos casais dançarinos tinha-se desvanecido. Abriu-se um espaço em frente o palco, embora o largo continuasse cheio de pessoas a ouvir a música, e o bar esteja vazio. As cervejas vendem-se através da janela.

O grupo tenta incitar a dança, descendo do palco para o largo. Fazem um combóio pelo meio do público. Mas aproveitam a viajem e, quando voltam ao palco, trazem cervejas. Pouco depois, é a vez do técnico cantar, perante alguns dançarinos isolados.

O grupo muda de estratégia à 01:00, e desafia os homens na festa a virem dançar com uma das “raparigas” do palco. O convite é entusiasticamente aceite por um dos presentes. Seguiu-se uma arriscada cena digna do teatro de rua:

  1. As dançarinas dançam à vez com o homem, mas passam o tempo a empurrá-lo ou desequilibrá-lo de formas diferentes.
  2. Quando o homem se recusa a continuar a dançar, as dançarinas levantam-no pelas pernas e levam-no pelo ar até um simulado acto sexual com o cantor.
  3. Quando colocam o homem no chão, aproveitam para lhe despirem a camisola. Repetem a dança à vez, com os mesmos truques.
  4. De alguma forma, convencem o homem a tirar os sapatos. Enquanto ele se dobra para a frente, a outra rapariga despeja-lhe água pelas costas abaixo. Quando ele se endireita, puxam-lhe as cuecas para baixo!
  5. Não sei o que lhe prometeram, mas o nosso homem despiu as calças. Em cuecas e meias, dança com as raparigas à vez.
  6. Finalmente, veste-se ajudado por uma das raparigas.

Passado o teatro de rua, o grupo volta a tentar incitar à dança. Descem de novo ao chão, e formam uma roda em frente ao palco. Volta “O Pai da Criança” (ou uma variante) e as mulheres fingem estar grávidas, incluindo as crianças convidadas para dançar em palco. A perspectiva parece maravilhá-las.

À 01:30, mais uma interação com o público: um concurso de homens! Três homens aceitam o desafio e desfilam de ponta-a-ponta do palco, colhendo os aplausos do público, que não arreda pé. Ganha o que receber mais palmas.

A festa acaba perto das 02:00, perante o entusiasmo do público que ficou até ao fim, e ainda com as dançarinas convidadas em palco. Foi uma noite para criar memórias.

Fotografia

Fotografei apenas com a lente 24-105mm, mas havia luz suficiente para a lente fazer um bom trabalho. Tirei centenas de fotografias, que ficaram mais de quatro anos à espera de serem escolhidas e publicadas. Em 2011, não tive tempo nem método para escolher as fotografias. Em Setembro de 2015, escolhi-as em vários passos:

  1. Eliminar as fotos desfocadas e duplicadas (fotografias seguidas muito semelhantes entre si).
  2. Agrupar as fotografias em montes (um monte para cada membro da banda, mais outro para as convidadas, dois para o teatro e para o concurso, outro para o público). Eliminar fotos repetidas (por exemplo, fotos semelhantes do mesmo músico, mesmo que tiradas em alturas diferentes).
  3. Eliminar as fotografias que não ajudam a contar a história.
  4. Neste caso, retirar as fotografias que poderiam ofender a dignidade do homem voluntário no teatro.

O processo resulta numa boa quantidade de fotos variadas, que fui desenvolvendo ao longo dos anos. Mas é um processo longo. As fotografias demoram pelo menos tanto tempo a escolher como a tirar, e esse tempo nem sempre está disponível. Foi a proximidade do baile nos Amiais que me fez revisitar estas fotos.


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