Festa em São João dos Montes

Mais um ano, mais uma festa de São João dos Montes. Desta vez, os habitantes tiveram o cuidado de me convidar explicitamente, através de familiares. Vou para a festa sem qualquer dúvida se as minhas fotografias serão desejadas ou não.

Este ano, as minhas dúvidas são outras. Choveu durante a manhã, e continua a ameaçar chover. Levo a máquina dentro de um saco de plástico.

Pouco antes das quatro, começa a tocar o grupo de jovens “Rumo à Vida”. Além do Hugo Moisés Vicente, fundador do grupo, temos três rapazes tocadores, dois rapazes cantores, oito raparigas cantoras. Talvez por causa da chuva, há muito pouca gente a assistir.

Às cinco começa a missa, e chegam mais pessoas. A igreja está quase cheia, mas ainda há lugares vazios. Três jovens do grupo animam a missa. Entretanto, chegam elementos da Banda da Sociedade Euterpe Alhandrense.

Na procissão, há novidades. Há um terceiro andor carregado por mulheres, e as criancinhas vestidas de anjinhos transportam um pano branco onde coseram €55 em notas. No fim da procissão, continuavam a ser €55 em notas. O som dos metais da banda impõe-se, solene e digno, acompanhado pelo mínimo de tambores. Conto 33 músicos mais o maestro.

São sete horas, e o pessoal começa a atacar nos petiscos. Normalmente, estaria na hora de ir embora, mas alguns elementos do grupo de jovens resolvem ensaiar coisas novas. Às oito, dois tocadores e três cantores começam um espectáculo não anunciado, para os familiares resistentes. Não jantaram, e não se compreende se vão ficar a tocar o resto na noite. Mais tarde, junta-se o Moisés, que tinha ido jantar.

Ao contrário do grupo todo, onde cantam sempre num indistinto coro, neste grupo mais pequeno os rapazes cantam à vez, com ocasionais coros. O resultado é mais arrojado, mais puro, mais simples.

Meia hora mais tarde deixamos o grupo a cantar para tratarmos do nosso próprio jantar.

Fotografia

Antes da festa, mudei duas vezes de ideia em relação às lentes a levar.

  1. Primeiro, tinha pensado levar as minhas lentes novas, a 40mm f/2.8 STM e a 20mm f/2.8 USM.
  2. Depois, achei que era melhor não andar a trocar lentes no meio da poeira, e decidi levar a fiável e flexível 24-105mm f/4L IS USM que tão bom serviço fez nos dois anos anteriores.
  3. Com a chuva, decidi levar a 50mm f/1.4 USM como lente principal, com a máquina dentro de um saco de plástico. O pára-sol da lente protege a lente da chuva. Acabei por levar a 20mm f/2.8 USM por descargo de consciência, a usar apenas se não chover.

Felizmente, a chuva acalmou durante a tarde, e consegui usar a 20mm f/2.8 USM durante a procissão, com um resultado feliz. A lente de muito grande angular permite-me fotografar em espaços muito apertados. Por exemplo, entrar num buraco da procissão e fotografar uma pessoa ou um grupo, mas capturando-os no contexto de toda a procissão. E fotografar de muito perto permite ultrapassar outras pessoas que normalmente seriam obstáculos.

Com um pouco de trabalho, consigo fotografar a procissão em cinco locais diferentes, incluindo as crianças e os andores. Como a lente é leve e não sofre de “zoom creep”, tirei também umas curiosas fotografias aéreas, pendurado num poste. E consegui fotografar a igreja inteira (não cabia bem em 24mm).

Começo a pensar que me vou dar muito bem com esta lente em festas concorridas. E também já percebo porque é que os foto-jornalistas gostam de lentes grandes-angulares.

Estive tentado a fotografar a missa mas, como não tinha falado com o padre, contive-me. Falei com ele depois da procissão, e as regras parecem ser semelhantes ao Karate: ser discreto e não incomodar. Fica para a próxima.

Tirei 304 fotos, escolhi 121. Aproveitei para publicar também as fotos dos anos anteriores.

Anexo

Cartaz
Cartaz das festas de 2014.

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