Roubo Mínimo Garantido

Que táxis temos em Lisboa? Das minhas experiências próximas, temos:

  • Viagens demasiado caras. É difícil fazer qualquer viagem por menos de 5 euros. Por exemplo, uma viajem de 5 minutos entre o aeroporto e Xabregas custou 5 euros.

  • Carros de praça indignos. Por exemplo, Opel Corsa com bancos de trás sem  condições.

  • Motoristas criminosos. Já houve dois casos de motoristas a adormecer em semáforos vermelhos!

No noticiário da manhã de ontem na Antena 1, fui surpreendido pela notícia da negociação de um custo superior para as viagens a partir do aeroporto. Alguns pontos da notícia:

  • O custo extra pode vir a ser um consumo mínimo a partir do aeroporto, ou uma taxa adicional semelhante à actual taxa de bagagem.

  • O custo extra compensa a longa espera (voluntária) dos taxistas pelos clientes. O tempo médio de espera na praça do aeroporto é de 1 hora, mas por vezes chega às 3 horas.

  • O custo extra é reivindicado pelos “taxistas do aeroporto”, embora qualquer taxista possa ir apanhar clientes à praça do aeroporto.

  • O custo extra terá como contrapartida uma maior exigência aos taxistas, embora nenhum dos intervenientes na Antena 1 tenha especificado o que seria exigido.

Na minha interpretação cínica desta notícia, os factos parecem-me ser os seguintes:

  • Os “taxistas do aeroporto” preferem esperar 3 horas pelo “serviço do dia”, um viajante sem alternativas a não ser apanhar um taxi, a fazer uma série de pequenos serviços. Num dos comentários, um taxista desprezou os serviços de 2 ou 3 euros; na minha experiência, um serviço de 3 euros é uma distância que poderia ter sido feita a pé!

  • Com a aproximação do Euro 2004, os “taxistas do aeroporto” receiam a “concorrência desleal” que os restantes taxistas de Lisboa lhes venham a fazer.

  • O custo extra premeia a espera estúpida dos taxistas dispostos a essa mesma espera.

  • A “exigência acrescida” será uma qualquer exigência burocrática que impedirá os restantes taxistas de, ocasionalmente, apanhar clientes no aeroporto.

Ou seja, creio que o verdadeiro objectivo deste custo acrescido é criar uma classe de taxistas privilegiados que terão acesso exclusivo ao “filão” de turistas que chegarão a Lisboa durante o Euro 2004.

Para mim, o único verdadeiro problema dos taxistas no aeroporto é não terem forma de prever o tempo de espera. Vejo duas soluções simples:

  1. Limitar o número de táxis no aeroporto. Se o taxista chega ao aeroporto e o parque de táxis está cheio, que procure serviço noutro lado ou que volte mais tarde.

  2. Anunciar num placard visível pelos taxistas quantos passageiros devem aterrar durante a próxima hora, ou quantos aterraram na última meia hora. Com essa informação, o taxista já poderá avaliar se quer ou não esperar.

Como medida pedagógica, creio que o governo ou a câmara deveria baixar a bandeirada durante o Euro 2004. Afinal, se há mais serviços, também haverá menos espera entre serviços! Ou seja, não haverá tanta necessidade de compensar os taxistas pelo “incómodo” de esperarem pelos clientes!

A questão final é saber se a cidade de Lisboa vai garantir aos “taxistas do aeroporto” um roubo mínimo garantido, ou se vai exigir a todos os taxistas, começando pelos que frequentam o aeroporto, um mínimo de regras de serviço...


(original no blogspot)

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