Bullying

No dia 28 de Janeiro, 6º feira, pelas 18H30 estive na Escola EB 2,3 Aristides de Sousa Mendes, a assistir ao debate sobre Bullying, a convite do professor Sérgio Costa.

Este debate fez parte do Projecto Prevenir@Xira em colaboração com a Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, a PSP, a GNR e as Escolas EB 2,3 do Concelho envolvidas o âmbito das comemorações do Dia da Não Violência.

O debate foi dinamizado por duas psicólogas do programa PITI (Plano Integrado de Prevenção às Toxicodependências), um elemento da PSP da Escola Segura, pela Presidente e Vice presidente e uma professora da Escola, e ainda por dois jovens do 9º ano de escolaridade, que apresentaram um projecto para a diminuição da violência na escola.

O número de pessoas presentes foi bastante elevado e participativo. Estiveram presentes muitos alunos, e também muitos pais e professores.

Após a apresentação uma das psicólogas convidou os participantes a definirem Bullying numa palavra, foram muitas as respostas dadas.

Definiu-se Bullying de uma forma genérica. Foram mostrados inquéritos sobre Bullying efectuados pela equipa do PITI. Verificou-se que este fenómeno é praticado tanto por rapazes como por raparigas, no caso dos rapazes existe mais violência física, no caso das raparigas mais violência verbal (palavrões). Verificou-se também que o fenómeno está a aumentar no dia a dia e que não se limita aos alunos do secundário mas também aos alunos da primária.

Uma grande parte dos jovens vítimas de Bullying sofre esta agressão em silêncio. Há alunos que tem conhecimento de práticas de Bullying, mas não o denunciam por medo de represálias.

Uma das mães presentes ficou deveras preocupada, após a exposição e análise do inquérito, e questionou a escola como pensava resolver a situação.

A escola desafiou os alunos vítimas de Bullying a saírem do silêncio, contando aos professores (só assim a escola pode agir), aos pais, aos amigos, a alguém da sua confiança.

Desafiou os alunos a relatar as ocorrências que conhecessem tanto das vitimas como dos agressores. Segundo uma das professoras, ser “padrinho” de um aluno do 5º ano não era apenas para ser bonito e divertido, mas para o ajudar na integração e eventual protecção.

O agente da PSP Escola Segura fez também a sua apresentação, da qual não tomei qualquer nota, talvez por acreditar mais na prevenção e não tanto na punição. Mas percebi entre outras coisas que os jovens podem ir presos, podem pagar multas, em casos menos graves são admoestados.

Por me parecer que estavam a dar demasiada importância à intervenção da polícia (quando o acto já foi praticado), entendi dever intervir, apelando aos pais para uma maior intervenção junto dos nossos jovens, ao qual uma das professoras da mesa respondeu que não podemos fazer justiça pelas próprias mãos.

Em resumo, o debate correu muito bem, o tema foi interessante, o tempo passou extremamente rápido (terminou depois das 20 horas), os organizadores do projecto estão de parabéns, penso no entanto que o tema do Bullying não se esgotou e que muito há ainda para debater.

Quanto à minha intervenção, faço minhas as palavras de Augusto Cury no livro Filhos Brilhantes Alunos Fascinantes:

“Eu discordo! Protesto! Eu vejo a vida de outra maneira! Vamos construir um mundo diferente!”

Vamos todos ter que deixar de pensar só no nosso “rebento” e passar a olhar para o “rebento” do outro como se nosso fosse!

Vamos ter que aprender a falar com a vitima, mas também aprender a falar com o agressor, aliás a linha que separa vítima e agressor é muito ténue.

Estamos a criar os nossos jovens num clima de medo, andamos obcecados com a segurança, os nossos jovens já não sabem brincar, estão presos dentro de uma gaiola dourada, onde têm tudo mas não têm nada, um destes dias vão ter medo de respirar… Estamos a hipotecar o futuro dos nossos jovens.

“Vivemos numa sociedade que se concentra tanto em evitar correr riscos que pode ser muito fácil esquecermo-nos de quão importante é ajudar os nossos filhos a desenvolverem a habilidade e a coragem para correrem riscos.”
— in O Manual do Pai de Will Glennon.

Está na nossa mão ajudar a fazer a diferença, nas minhas diversas intervenções os resultados foram muito positivos, o agressor passou a defensor…

— Aline Lopes

Comentário

  1. Ando no 9º ano, na D.Martinho e, ao ler este artigo, até fiquei com uma certa pena de não ter ido.

    Concordo com o artigo. As pessoas só criam os seus filhos num clima de medo hoje em dia. Mas, normalmente, os pais demoram tempo demais a compreender quando os seus filhos têm problemas. E não têm noção do quão grave é o gozo (porque nem sempre chega a bullying verbal) e de como isso pode ser prejudicial.

    Eu passei por isto em primeira mão, por exemplo. Como gozavam comigo no 5º ano, fiquei com a auto-estima muito em baixo e só com uma (melhor) amiga; mas ninguém se apercebeu que havia um problema. Tive de resolver o meu problema psicológico totalmente por mim própria — até porque nunca teria coragem de o o contar a alguém.

    Só ao fim de dois anos comecei a melhorar, e hoje voltei a ser totalmente feliz. Por isso nem tenho vergonha em dizer isto às pessoas. Aliás, até acho importante dizê-lo, para que as pessoas ganhem noção de que bastam alguns comentários para toda a nossa vida mudar subitamente (para muito pior). E para que ganhem noção de que gozar com os outros é um problema grave que deve ser combatido.

    — Mariana · 11 Março 2011, 22:42


(original em apdmartinho.pt)

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