Adequação da oferta escolar às necessidades do mundo do trabalho

No dia 3 de Maio de 2012, realizou-se no auditório da Escola Secundária EB 2,3 Professor Reynaldo dos Santos, em Vila franca de Xira, o Seminário “A oferta da Rede Escolar: Impactos na Vida Activa”, promovido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e pelo Conselho Municipal de Educação.

O programa dividiu-se em duas partes distintas: das 9:30H às 12:30H, participou a comunidade escolar, mediante inscrição prévia (à qual estas notas dizem respeito); das 14:30H às 17:00H seguiu-se uma mesa redonda mediante por convite (não fui convidada).

Pareceu-me que o encontro teve como objectivo “Criar pontes entre a educação e o mundo do trabalho”, com vista a uma melhor adequação da oferta e da procura de emprego, de forma a responder às necessidades reais das entidades empregadoras e a diminuir a oferta de cursos que não têm saída no mercado de trabalho. Existe um grande número de jovens no desemprego, mas as empresas não encontram os técnicos que necessitam.

Durante a manhã, como oradores estiveram representantes da DRELVT, da ADINE – Associação de Dinamização Empresarial, do Fórum Informal de Empresas do Concelho, do IEFP. A sessão terminou com a apresentação de caso resultante da parceria entre a escola Secundária Gago Coutinho e a empresa OGMA, no âmbito o curso profissional de “técnico de manutenção de aeronaves”.

Durante o encontro falou-se:

  • Da importância do Conselho Geral dos Agrupamentos. “O Conselho Geral é o local próprio para dar ideias, estão lá todos elementos: os professores, os pais, as empresas, o município”.
  • Da necessidade de criar uma “Rede de Oferta Educativa”, uma rede sustentável onde todos devem participar. Precisamos planear os próximos anos. Estes, vão ser anos de muito trabalho, muita dedicação, muito rigor e exigência. Precisamos de formar jovens responsáveis. É preciso encontrar caminhos.
  • A crise pode ser o momento de viragem. É necessário que o Estado esteja aberto a ideias inovadoras. Nunca desperdicemos nenhuma crise, elas podem ser oportunidades de fazer coisas importantes.
  • Empreendorismo e empregabilidade. Empreender começa pela escolha do que se faz. Que pretendemos? Que conhecimentos são necessários? Que formação? Onde?
  • É importante que os nossos jovens sejam alertados para os vários caminhos que podem seguir. É necessário incutir-lhes o conceito de rigor, de exigência, de inovação, para poderem corresponder ao que lhes é solicitado na altura de procurar trabalho.

Colarinhos brancos e colarinhos azuis. Existem empresas que oferecem trabalho na área industrial, mas a oferta de mão de obra é nas áreas administrativas. As profissões técnicas não são as mais procuradas. É necessário alterar este paradigma mental.

  • A OGMA promove parcerias com escolas para implementação de formação profissional, com o objectivo de captar mais jovens para a aceitação de cursos técnicos. A empresa tem necessidade de Técnicos de Manutenção de Aeronaves. Estabeleceram um protocolo com Escola Secundária Gago Coutinho. Gostariam de formar duas turmas, dada a falta de procura existe apenas uma turma. É necessário criar incentivos e motivação, por parte dos jovens e das famílias.
  • A OGMA, muito embora tenha formadores, assegure estágios, disponibilize equipamento, proporcione bolsas de formação, tem dificuldade em angariar alunos para a formação que pretende. Segundo Pedro Rivera, director de Recursos Humanos, a OGMA, vende mão de obra. Portugal representa apenas 6% do seu mercado. Pelo que o seu trabalho é maioritariamente vendido ao estrangeiro. Porquê? Porque oferecem trabalho de qualidade. Segundo ele a empresa não produz mais porque tem falta de pessoal técnico. Precisamos de pessoas que gostem de fazer e não apenas de usar. Precisamos de pessoas na indústria, com cultura de trabalho, de disciplina, de exigência. Precisamos de jovens criativos, inovadores, à procura de novas soluções.

Do que vi e ouvi, pareceu-me que um dos objectivos do encontro foi o sensibilizar a comunidade escolar para a necessidade de incutirmos nos nossos jovens a cultura da exigência, métodos de trabalho, o cumprimento dos objectivos (procurar trabalho e não emprego), novas atitudes, novos comportamentos.

As empresas da região têm dificuldade em recrutar mão de obra qualificada. Há falta de trabalhadores com os requisitos necessários, os nossos jovens não têm formação adequada. As empresas mostraram disponibilidade para se deslocar às escolas, falar com os alunos, falar com os pais, fazer parcerias com as escolas, oferecer estágios.

O desafio foi lançado, sejamos todos nós capazes de levar o desfio mais além. Precisamos de dizer aos nossos jovens que vale a pena sonhar, que vale a pena acreditar, se outros o conseguiram eles também vão conseguir! Com trabalho, com dedicação, com empenho, sem nunca desistir, sem nunca baixar os braços, eles sairão da crise mais fortes e mais ricos de conhecimento.

— Aline Lopes

Anexo

Programa do encontro
Programa do seminário “A oferta da Rede Escolar: Impactos na Vida Activa”, promovido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira e pelo Conselho Municipal de Educação. 1 página.

(original em apdmartinho.pt)

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